Justiça desmonta esquema em Buriticupu: advogado e secretários acusados de falsificar dados e acobertar crimes

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A Justiça de Buriticupu determinou o afastamento imediato de secretários municipais e do advogado da Prefeitura, após denúncias do Ministério Público (MP) que apontam graves irregularidades envolvendo omissão e falsificação em registros oficiais.

O prefeito João Carlos, diante do episódio, deve repensar suas indicações para cargos de confiança, já que o escândalo expõe falhas graves na administração e compromete princípios como legalidade, moralidade, impessoalidade e ética profissional.

Quem foi afastado pela Justiça

A decisão atinge:

  • Chrystiane Piancó Lima, secretária de Saúde;
  • Áurea Cristina Costa Flor, secretária de Assistência Social;
  • Paulo Sérgio Pereira Mendes, diretor de Proteção Social Especial;
  • Alexandre Florentino Magalhães, assessor jurídico da Procuradoria-Geral do Município.

A medida, válida por 180 dias, proíbe os investigados de acessar repartições públicas, sistemas de informação e de manter contato com servidores e testemunhas. Logo após a decisão, uma operação de busca e apreensão recolheu bancos de dados do SINAN e e-mails institucionais.

As falhas graves na rede de proteção

O MP constatou que houve um colapso deliberado da rede de proteção de crianças e adolescentes. Dos 105 casos de violência sexual registrados, 95 não foram comunicados à Polícia Civil, revelando omissão sistemática.

Um ponto ainda mais grave foi a confissão da própria gestão municipal, admitindo que inseria dados falsos no SINAN. Casos de pré-natal em adolescentes eram classificados como “violência sexual” para encobrir crimes reais e mascarar falhas do sistema.

Acusações contra os investigados

Com base nas provas, o MP denunciou:

  • Secretárias municipais: por omissão de comunicação, falsidade ideológica, denunciação caluniosa e desobediência qualificada;
  • Alexandre Magalhães: por patrocínio simultâneo ou tergiversação, ao defender gestoras investigadas usando o cargo público.

Além do processo criminal, foi ajuizada uma Ação Civil Pública por improbidade administrativa, apontando que houve intenção dolosa em obstruir investigações e ocultar omissões em massa.

Se condenados, os envolvidos podem sofrer multas civis e até proibição de contratar com o poder público.

Impactos políticos e institucionais

O caso coloca em xeque a gestão do prefeito João Carlos, que precisa rever urgentemente sua forma de escolher assessores e secretários. O episódio fragiliza a credibilidade da Prefeitura e abre espaço para questionamentos sobre o comprometimento da atual administração com a proteção de direitos humanos.

Até o momento, a Prefeitura de Buriticupu não se manifestou. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.

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