A Câmara Municipal de São Luís terá um desafio financeiro e administrativo a enfrentar a partir de 2027. Uma dívida previdenciária estimada em R$ 9,77 milhões permanece no centro de questionamentos sobre contribuições de servidores e obrigações patronais acumuladas ao longo de diferentes gestões do Legislativo municipal.
Eleito com 21 votos para comandar a Casa no biênio 2027–2028, o vereador Beto Castro assumirá a presidência em meio a cobranças por esclarecimentos sobre os valores pendentes, os parcelamentos negociados e as auditorias realizadas pelos órgãos de controle.
PROBLEMAS PREVIDENCIÁRIOS REMONTAM À GESTÃO DE ASTRO DE OGUM
Os antecedentes das dificuldades previdenciárias aparecem em novembro de 2018, durante a presidência de Astro de Ogum. Naquele período, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) envolvendo a Câmara Municipal, o Ministério Público do Maranhão, o Ministério Público de Contas, a Prefeitura de São Luís e o Instituto de Previdência e Assistência do Município (IPAM).
O acordo tinha como objetivo corrigir irregularidades na administração dos benefícios de aposentados e pensionistas, que até então eram geridos diretamente pela Câmara.
O documento demonstra que os problemas relacionados à gestão previdenciária já exigiam a intervenção de órgãos de controle naquele momento. Entretanto, não comprova que a dívida milionária atualmente cobrada tenha se originado durante a gestão de Astro de Ogum.
DOCUMENTOS APONTAM CONTRIBUIÇÕES PENDENTES NAS GESTÕES DE OSMAR FILHO E PAULO VICTOR
Um dos registros financeiros mais detalhados foi publicado no Diário Oficial de São Luís em 30 de outubro de 2024. Uma ata do IPAM apresenta R$ 2.004.463,43 em contribuições descontadas dos servidores entre 2020 e 2024, período que abrange as presidências de Osmar Filho, entre 2019 e 2022, e Paulo Victor, a partir de 2023.
O documento também menciona R$ 3.595.455,12 em contribuições patronais submetidas a uma proposta de parcelamento, além de um acordo firmado em 2021 no valor de R$ 949.659,34.
Na ocasião, a então presidente do IPAM, Manuella Oliveira Fernandes, manifestou discordância em relação ao parcelamento dos valores descontados dos trabalhadores e não repassados ao instituto. A manifestação apontava impedimentos jurídicos para esse tipo de negociação.
AUDITORIA DO TCE APONTOU PENDÊNCIAS DE APROXIMADAMENTE R$ 9,77 MILHÕES
Em agosto de 2026, o Tribunal de Contas do Estado retomou uma auditoria sobre as pendências previdenciárias da Câmara Municipal. Segundo informações atribuídas ao IPAM, os valores em discussão chegavam a aproximadamente R$ 9,77 milhões.
O levantamento também incluía questionamentos sobre descontos realizados nos salários dos servidores ao longo daquele ano.
Até o momento, conforme as informações apresentadas, não há conclusão pública identificada que estabeleça a responsabilidade individual de cada gestão pelas pendências. Por isso, a dimensão da dívida e sua origem precisam ser esclarecidas a partir dos documentos contábeis, dos recolhimentos efetivamente realizados e dos resultados das auditorias.
BETO CASTRO ASSUMIRÁ A CÂMARA EM MEIO ÀS COBRANÇAS
A eleição de Beto Castro para o biênio 2027–2028 acrescenta um novo capítulo à discussão. O vereador já ocupou diferentes funções na Mesa Diretora da Câmara: foi terceiro secretário no período de 2019–2020, segundo secretário entre 2023 e 2024 e segundo vice-presidente no biênio 2025–2026.
A participação em cargos da Mesa Diretora, porém, não significa responsabilidade automática pelas pendências previdenciárias. Ainda assim, o histórico torna relevante conhecer quais providências foram adotadas pela administração legislativa ao longo desses períodos.
Enquanto o vereador Douglas Pinto, eleito deputado estadual, pede o afastamento de Paulo Victor, seguem sem respostas definitivas questões sobre os recolhimentos, os parcelamentos e o resultado das auditorias.
DÍVIDA EXIGE TRANSPARÊNCIA E ESCLARECIMENTOS
Com a mudança no comando da Câmara prevista para 2027, a situação previdenciária deverá estar entre os assuntos que exigirão atenção da nova Mesa Diretora.
Entre os principais pontos a serem esclarecidos estão o valor efetivamente pago, o montante que continua em aberto, a origem das obrigações em cada período administrativo e as medidas adotadas para regularizar os repasses ao IPAM.
A dívida atravessa diferentes presidências e agora estará entre os desafios da gestão de Beto Castro. Mais do que a troca no comando do Legislativo, a população e os servidores aguardam transparência sobre o destino dos recursos e a regularização das obrigações previdenciárias da Câmara de São Luís.


