Durante agenda recente em Imperatriz, o vice-governador Felipe Camarão voltou a tensionar os bastidores da política maranhense ao afirmar que “a hipótese de renunciar é zero” e recorre ao Evangelho de Mateus para justificar sua decisão de permanecer pré-candidato ao governo.
No entanto, ao citar a Bíblia para defender sua lealdade, Camarão omite os verdadeiros “Judas” que surgiram dentro do próprio grupo dinista, muitos dos quais atuaram nos bastidores para enfraquecer o governador Carlos Brandão desde 2022.
A declaração reacende a disputa interna entre o grupo ligado a Flávio Dino e o atual governo. Mesmo após Brandão assumir o comando do estado com apoio formal do ex-governador, parte da antiga base dinista resistiu à sua liderança, articulando silenciosamente para retomar o controle político do Palácio dos Leões.
A ascensão nacional de Dino, hoje ministro do STF, abriu espaço para uma nova estratégia: reposicionar Felipe Camarão como herdeiro do projeto, ainda que isso signifique tensionar a relação com Brandão.
Ao dizer que todos estão no mesmo time e que espera bom diálogo, Camarão desconsidera o histórico de pressões, exigências e movimentos de isolamento político enfrentados por Brandão, especialmente por aqueles que agora se dizem defensores do projeto iniciado em 2014.
O discurso de moralidade religiosa, baseado em Mateus 5:37, “que seu sim seja sim e seu não seja não”, soa conveniente quando não se admite que, nos bastidores, houve quem atuasse para que o governador fosse tratado como figura transitória, e não como liderança consolidada.
O Maranhão não precisa de sermões, mas de clareza. Antes de cobrar renúncia de outros, é preciso reconhecer quem, dentro do próprio grupo, já renunciou ao diálogo em troca de ambição.


