A pouco mais de três meses do período eleitoral, a prefeita de Buriti Bravo, Luciana Borges Leocádio (MDB), encaminhou proposta para contratação de um empréstimo de R$ 20 milhões junto ao Banco do Brasil. Os recursos, segundo a documentação obtida pelo site Folha do Maranhão, seriam destinados a investimentos em obras e aquisição de equipamentos para o município.
A iniciativa já começa a gerar repercussão no cenário político local, principalmente pelo volume dos recursos envolvidos e pelo impacto financeiro que a operação poderá gerar aos cofres municipais nos próximos anos.
RECURSOS SERÃO DESTINADOS A OBRAS E INVESTIMENTOS
De acordo com a proposta apresentada, a maior parte do valor será aplicada em obras de infraestrutura.
O planejamento prevê R$ 10,5 milhões para implantação de um sistema de drenagem no córrego da localidade Brejinho, além de R$ 6 milhões para instalação de um sistema de energia solar.
O projeto também reserva R$ 2,5 milhões para pavimentação de vias urbanas e mais R$ 1 milhão para aquisição de máquinas e equipamentos destinados à administração municipal.
A justificativa da gestão é que os investimentos contribuirão para a melhoria da infraestrutura e dos serviços oferecidos à população.
DÍVIDA PODE CHEGAR A R$ 35 MILHÕES
Embora o financiamento solicitado seja de R$ 20 milhões, os documentos apontam que o custo total da operação poderá alcançar aproximadamente R$ 35 milhões ao longo do período de pagamento.
Isso ocorre em razão da incidência de juros, taxas e demais encargos financeiros previstos no contrato. A estimativa é de que o município desembolse cerca de R$ 15 milhões adicionais durante os até dez anos de vigência do financiamento.
O valor chama atenção por representar um aumento significativo sobre o montante originalmente contratado.
GESTÃO FOI ALVO DE OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL
A proposta de financiamento surge meses após a prefeita Luciana Borges ter sido citada entre os alvos da Operação Lei do Retorno, deflagrada pela Polícia Federal no final do ano passado.
A investigação apura supostos desvios de aproximadamente R$ 50 milhões em recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Durante a operação, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão em diversos municípios maranhenses, incluindo Buriti Bravo, além de cidades do Piauí.
Entre os investigados citados pelas autoridades estão a deputada estadual Daniella (PSB), o ex-prefeito de Caxias e atual secretário estadual de Agricultura e Pecuária, Fábio Gentil, além da prefeita Luciana Leocádio.
INVESTIGAÇÃO APURA SUPOSTAS FRAUDES EM LICITAÇÕES
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal à época da operação, as investigações apontam indícios de que parte dos recursos contratados com verbas do Fundeb teria sido desviada por meio da manipulação de processos licitatórios.
A suspeita é de que parcelas dos valores pagos em contratos públicos fossem posteriormente direcionadas a agentes envolvidos no esquema investigado.
Até o momento, o caso segue em apuração pelas autoridades competentes, sem decisão judicial definitiva sobre os fatos investigados.
Enquanto isso, a proposta do empréstimo de R$ 20 milhões em Buriti Bravo deverá passar pelas etapas legais de análise e aprovação antes de sua eventual contratação, permanecendo no centro das discussões sobre os impactos financeiros e administrativos para o município nos próximos anos.


