O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na quarta-feira, dia 9, de um ato de campanha em favor do governador Rafael Fonteles, do PT, em Teresina. No Maranhão, porém, a expectativa nos bastidores é de que o petista não faça agenda eleitoral antes do primeiro turno.
Mesmo com Felipe Camarão, do PT, na disputa pelo Governo do Maranhão, dirigentes petistas descartam articulações para trazer Lula ao estado até o dia 4 de outubro. A ausência contrasta com a presença do presidente no Piauí, onde reforçou o apoio à candidatura de Rafael Fonteles.
CAUTELA PARA EVITAR ATRITOS ENTRE ALIADOS
Nos bastidores, a decisão de Lula no Maranhão no primeiro turno é atribuída à tentativa de preservar a relação com Orleans Brandão, do MDB. O emedebista é apoiado pelo governador Carlos Brandão, também do MDB, aliado do presidente no cenário nacional.
A avaliação dentro do grupo político é que uma visita de Lula ao Maranhão para apoiar Felipe Camarão poderia gerar desconforto com a base governista local. O presidente, segundo interlocutores, busca evitar que a eleição estadual provoque ruídos entre aliados que caminham juntos em outras frentes.
PESQUISAS PESAM NA ESTRATÉGIA
A posição de Orleans Brandão nas pesquisas também é apontada como um dos fatores que influenciam a estratégia. O candidato do MDB aparece em condição mais favorável nos levantamentos e é visto como o nome lulista com maiores chances de vitória na disputa maranhense.
Felipe Camarão, por sua vez, enfrenta dificuldades para avançar entre os principais concorrentes. Em alguns levantamentos, o petista aparece à frente apenas do ex-senador Roberto Rocha, do PRTB.
LULA PRIORIZA EQUILÍBRIO POLÍTICO
A ausência de Lula no Maranhão no primeiro turno, caso se confirme, revela uma escolha pragmática do Planalto. Ao evitar uma participação direta na campanha estadual, o presidente tenta manter aberto o diálogo com os diferentes grupos que integram sua base política.
A disputa no Maranhão, portanto, coloca o PT diante de um desafio: fortalecer a candidatura de Felipe Camarão sem transformar a eleição local em um ponto de tensão com aliados estratégicos do governo federal.


