Com pouco mais de dois meses à frente da Prefeitura de São Luís, a prefeita Esmênia Miranda (PSD) já trabalha para viabilizar um empréstimo milionário em São Luís, movimento que começa a ganhar força nos bastidores políticos da capital maranhense.
Embora os valores da operação e a destinação dos recursos ainda não tenham sido oficialmente divulgados, a proposta já desperta atenção por ocorrer em um momento em que a nova gestão ainda está nos primeiros meses de mandato e sem a apresentação de projetos estruturantes de grande impacto.
PROJETO TERIA ORIGEM NA GESTÃO ANTERIOR
Informações de bastidores apontam que a operação de crédito teria como base estudos e planejamentos desenvolvidos durante a administração do ex-prefeito Eduardo Braide. A possibilidade de contratação de financiamentos chegou a ser debatida no governo anterior, mas não avançou antes do encerramento do mandato.
Caso a proposta seja formalizada, caberá à atual gestão conduzir a tramitação política e administrativa necessária para viabilizar a contratação dos recursos.
O cenário também reforça a percepção de continuidade entre projetos discutidos no governo anterior e as iniciativas que começam a ser implementadas pela nova administração.
PAULO VICTOR DEVE TER PAPEL DECISIVO
Para que o empréstimo milionário em São Luís seja efetivamente contratado, a Prefeitura precisará obter autorização da Câmara Municipal.
Nos bastidores, a gestão já contaria com a interlocução do presidente da Casa, Paulo Victor (PSB), que nas últimas semanas tem demonstrado aproximação política com grupos ligados ao ex-prefeito Eduardo Braide.
A expectativa é que o Palácio de La Ravardière trabalhe para consolidar apoio entre os vereadores e construir maioria suficiente para aprovar o projeto quando ele for encaminhado ao Legislativo.
PREFEITURA AINDA PRECISA CUMPRIR EXIGÊNCIAS LEGAIS
Além da autorização da Câmara Municipal, a contratação de financiamentos desse porte depende do cumprimento de uma série de exigências legais e fiscais.
Entre elas estão a obtenção de certidões negativas e a comprovação da regularidade fiscal do município perante os órgãos de controle, incluindo o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão.
Somente após o atendimento desses requisitos a operação poderá avançar para as etapas finais de contratação.
DEBATE SOBRE ENDIVIDAMENTO VOLTA AO CENTRO DAS DISCUSSÕES
A possível formalização do empréstimo também reacende discussões sobre a política fiscal adotada nos últimos anos em São Luís.
Durante seus mandatos, Eduardo Braide costumava destacar que sua gestão executou obras e investimentos sem recorrer a operações de crédito. Agora, uma eventual contratação de financiamento pela administração sucessora poderá colocar em prática um projeto concebido naquele período, mas que acabou não sendo executado.
O debate ganha ainda mais relevância diante do crescimento da arrecadação municipal registrado nos últimos anos e da expectativa da população por novos investimentos em áreas estratégicas da capital.
QUESTIONAMENTOS SOBRE A NECESSIDADE DO FINANCIAMENTO
A movimentação da prefeitura também levanta questionamentos sobre a necessidade de um novo endividamento em uma gestão que está apenas começando e que administra um orçamento bilionário.
Enquanto o governo municipal busca construir as condições políticas e técnicas para viabilizar a operação, o tema deve permanecer em evidência nos próximos meses, especialmente quando forem apresentados os detalhes sobre o valor do financiamento, as obras previstas e os impactos financeiros para os cofres públicos.
A discussão promete envolver Câmara Municipal, órgãos de controle e a própria população, que aguarda esclarecimentos sobre os objetivos e a justificativa para a contratação do empréstimo.


