Uma decisão recente da Justiça maranhense mudou o rumo de um processo que se arrasta há anos. A ação penal contra ex-prefeito de Grajaú foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Maranhão, retirando o caso da primeira instância e levando a discussão para um novo patamar jurídico.
A medida foi tomada pela juíza Raquel Araújo Castro Teles de Menezes, que atua no projeto Produtividade Extraordinária, iniciativa voltada à redução do acúmulo de processos no Judiciário estadual.
ENTENDIMENTO DO STF MUDA COMPETÊNCIA DO CASO
A decisão de remeter a ação penal contra ex-prefeito de Grajaú ao TJMA teve como base um entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo esse posicionamento, crimes supostamente cometidos durante o exercício do mandato devem ser julgados pelo tribunal competente, mesmo após o fim da gestão.
Na prática, isso significa que a perda do cargo não altera a instância responsável pelo julgamento quando os fatos estão diretamente ligados às funções exercidas pelo agente público à época.
Com esse fundamento, a magistrada declarou a incompetência absoluta da primeira instância, determinando o envio imediato dos autos ao Tribunal de Justiça.
ACUSAÇÕES ENVOLVEM PECULATO E USO DE BEM PÚBLICO
De acordo com o processo, o ex-prefeito Júnior de Sousa Otsuka foi denunciado pelo Ministério Público sob suspeita de apropriação de bens públicos, conforme previsto no Decreto-Lei nº 201/1967, além de responder por peculato, crime tipificado no Código Penal.
As investigações apontam que os fatos ocorreram durante o período em que ele exercia o cargo de prefeito. Entre as condutas questionadas está a suposta doação irregular de um imóvel público municipal a uma empresa privada.
Trechos da ação destacam que a natureza dos atos investigados está diretamente relacionada à função administrativa exercida pelo então gestor, o que reforça a competência do tribunal para julgar o caso.
PROCESSO ANTIGO GANHA NOVO CAPÍTULO
A ação penal contra ex-prefeito de Grajaú teve início ainda em 2018, quando a denúncia foi formalizada pelo Ministério Público e recebida no início de 2019. Desde então, o processo seguiu em tramitação na primeira instância.
No entanto, após quase dez anos, houve uma reviravolta. Em fevereiro deste ano, o próprio Ministério Público solicitou o reconhecimento da incompetência da instância inicial, justamente com base no novo entendimento do STF.
A decisão da juíza acompanha essa interpretação e marca um novo momento na condução do caso.
CASO AGORA SERÁ ANALISADO PELO TJMA
Com o envio ao Tribunal de Justiça do Maranhão, o processo passa a tramitar na 3ª Câmara Criminal, sob relatoria do desembargador Nelson Ferreira Martins Filho.
Neste momento, o caso aguarda análise para que a Procuradoria Geral de Justiça possa emitir parecer. A partir disso, o processo deve avançar para novas etapas dentro do tribunal.
Mesmo sem decisão final, a movimentação reforça o peso jurídico da ação penal contra ex-prefeito de Grajaú e recoloca o caso no centro das atenções, agora sob o olhar direto do TJMA.


