Uma operação interestadual da Polícia Civil de Santa Catarina prendeu, nesta quarta-feira (26), 11 suspeitos acusados de aplicar o golpe do “falso advogado”. O grupo invadia sistemas de Tribunais de Justiça em diferentes estados, utilizando dados profissionais de advogados para fraudar processos e enganar vítimas. Outros três investigados seguem foragidos.
A ação cumpriu 26 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte. De acordo com as investigações, os detidos mantinham vínculos com facções criminosas de São Paulo e do Rio de Janeiro, o que reforça a gravidade da atuação da quadrilha.
Segundo a Polícia Civil, o esquema consistia em utilizar credenciais e informações sigilosas de advogados para acessar processos judiciais, simular a atuação profissional e induzir pessoas ao erro. Além de causar prejuízos financeiros, o golpe expõe falhas na segurança digital do Judiciário e ameaça a credibilidade da advocacia.
Em coletiva realizada em São Paulo, o delegado Rafaello Ross, de Joinville, confirmou que cinco dos suspeitos estavam no Estado paulista.
“Identificamos contatos dos investigados com facções, mas ainda precisamos confirmar como ocorre essa migração para os crimes digitais”, afirmou.
A investigação, classificada como de alta complexidade, levanta debates sobre a proteção de dados sensíveis de advogados e a necessidade de maior segurança nos sistemas do Poder Judiciário. Para especialistas, o caso alerta para a urgência de medidas que garantam a inviolabilidade das plataformas judiciais, princípio fundamental para a preservação da advocacia e da administração da Justiça.


