A segurança pública voltou ao centro do debate nacional após as cenas de guerra vividas entre os dias 28 e 29 de outubro no Rio de Janeiro, que deixaram o país em alerta. No entanto, na Assembleia Legislativa do Maranhão, o comportamento dos deputados de oposição revelou um curioso silêncio. Após semanas tentando emplacar o discurso de que São Luís estaria sitiada pelo crime organizado, os parlamentares simplesmente abandonaram a pauta da segurança.
O contraste entre o discurso e a realidade
Na sessão desta quarta-feira (29), os oposicionistas preferiram abordar temas como uma estrada estadual, denúncias na Secretaria de Cultura ainda relacionadas ao Carnaval, e um suposto projeto suspenso na Educação. Nenhuma menção relevante foi feita à segurança pública, apesar da gravidade do tema e do pânico gerado recentemente por áudios falsos espalhados nas redes sociais.
Esse contraste expõe uma contradição política: enquanto o país discute estratégias para conter o avanço das facções criminosas, parte da oposição maranhense prefere se concentrar em pautas secundárias, deixando de lado uma questão que afeta diretamente a vida da população.
A falsa narrativa do terror em São Luís
Na semana anterior, os mesmos deputados haviam usado as redes sociais e a tribuna para afirmar que o crime organizado estava “tocando o terror” em São Luís. Falaram em ataques a escolas, ônibus e arrastões, mas nenhum desses eventos se confirmou. Tudo não passou de uma narrativa construída em cima de fake news.
A tentativa de criar um clima de insegurança acabou surtindo o efeito contrário. Ao exagerar a força das facções, a oposição acabou reforçando um imaginário de poder que não corresponde à realidade. Essa postura, além de irresponsável, desinforma a população e dificulta o trabalho das forças de segurança que atuam para conter o crime de forma técnica e coordenada.
O desafio real da segurança pública no Maranhão
A insegurança é, sim, um problema concreto — mas não exclusivo do Maranhão. O avanço das organizações criminosas exige integração entre os estados e cooperação com o governo federal, algo que demanda inteligência e estratégia, não alarmismo.
Criar pânico com base em rumores e notícias falsas apenas enfraquece o debate político e atrapalha a formulação de políticas públicas. É preciso discutir segurança com seriedade, cobrando resultados, mas sem transformar o tema em palanque político.
A oposição maranhense, ao esquecer a pauta da segurança pública, demonstra falta de coerência com o próprio discurso. O momento exige maturidade política e compromisso com a verdade, não manipulação do medo. Se há um tema que precisa ser tratado com responsabilidade, é este — a segurança dos cidadãos.


