
A influenciadora digital Andressa Tainá Sousa permanece presa preventivamente em São Luís há mais de 30 dias. O que deveria ser uma medida temporária acabou se transformando em um impasse judicial, marcado por declarações de incompetência e indefinição sobre qual instância deve analisar os pedidos de revogação, relaxamento da prisão e demais pleitos. Mesmo com o inquérito concluído há quase um mês, o caso segue sem decisão efetiva.
Motivos da prisão levantam questionamentos
A decisão que levou Tainá à prisão preventiva foi fundamentada na narrativa apresentada pelo delegado Pedro Adão, da DCCT da Seic, sobre uma suposta trama contra autoridades. Contudo, a versão não foi acompanhada de provas consistentes e perdeu força rapidamente. Outro argumento utilizado foi o descumprimento de medida cautelar, após a mudança do perfil da influenciadora no Instagram de público para privado. Para a defesa, esse motivo não poderia justificar a prisão, ainda mais sem a audiência de justificação prevista em lei.
Defesa critica “pingue-pongue processual”
Segundo o advogado Anacleto Corrêa Lima, o caso se transformou em um “imbróglio absurdo”. Em 30 de julho, houve parecer favorável às medidas de busca e apreensão, seguido da decretação da prisão preventiva. Poucos dias depois, a Promotoria da 1ª Vara da Central de Garantias declarou-se incompetente, decisão confirmada pelo juízo, que remeteu o processo à Vara Colegiada de Organização Criminosa. Como se trata de um órgão colegiado, os autos foram enviados ao 3º Termo, onde permanecem paralisados. Para o advogado, essa indefinição caracteriza antecipação de pena.
Situação atual do processo
Além da tramitação na primeira instância, o caso também está no Tribunal de Justiça, aguardando inclusão em pauta para julgamento de habeas corpus. Tainá Sousa foi indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Dinheiro Sujo, investigação que mira grupos suspeitos de explorar jogos de azar de forma ilegal no Maranhão.


