A Justiça Eleitoral voltou a mirar o Instituto Veritá. Desta vez, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe decidiu suspender parcialmente a divulgação de uma pesquisa eleitoral registrada para as eleições de 2026 após identificar possíveis irregularidades no levantamento. A decisão aumenta a pressão sobre o instituto, que já enfrenta questionamentos semelhantes em diversos estados do país.
A medida foi assinada nesta sexta-feira, 8, pelo juiz Leonardo Souza Santana Almeida, do TRE de Sergipe, após representação apresentada pelo Republicanos no estado. A pesquisa, registrada sob o número SE-08857/2026, tinha divulgação prevista para o próximo dia 11 de maio.
Segundo a decisão, a empresa responsável pelo levantamento poderá ser multada em R$ 10 mil caso descumpra a determinação judicial.
JUSTIÇA IDENTIFICOU IRREGULARIDADE NO QUESTIONÁRIO
De acordo com informações apuradas pelo blog do jornalista Isaías Rocha, a principal alegação é de que a pesquisa foi registrada no sistema PesqEle apenas para o cargo de senador. No entanto, durante a aplicação do questionário, também teriam sido feitas perguntas relacionadas à intenção de voto e rejeição para o cargo de governador.
Para os autores da ação, essa prática contraria as regras eleitorais e pode influenciar indevidamente o eleitorado, comprometendo a transparência e a lisura do processo eleitoral.
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que a suspensão integral da pesquisa seria uma medida desproporcional, já que o registro referente à disputa para o Senado estava regular. Por isso, a decisão determinou a proibição específica da divulgação de qualquer dado ligado à corrida pelo Governo do Estado.
Na prática, ficam vetadas informações, gráficos e números relacionados ao cargo de governador presentes no levantamento.
INSTITUTO VERITÁ ACUMULA CONTESTAÇÕES EM VÁRIOS ESTADOS
A nova decisão reforça o aumento do cerco judicial em torno do instituto. Além de Sergipe, a Justiça Eleitoral já suspendeu pesquisas atribuídas ao Veritá em estados como Espírito Santo, Alagoas, Piauí, Pernambuco, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Paraíba e Pará.
Levantamentos ligados ao instituto também são alvo de investigações e questionamentos em outras unidades da federação, incluindo Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.
No Maranhão, as duas primeiras pesquisas registradas pelo Instituto Veritá também enfrentam contestação na Justiça Eleitoral. As ações apontam possíveis inconsistências no plano amostral e outras supostas irregularidades relacionadas à metodologia utilizada.
PRESSÃO SOBRE PESQUISAS ELEITORAIS AUMENTA EM 2026
O episódio reacende o debate sobre a fiscalização das pesquisas eleitorais no Brasil, especialmente em um cenário pré-eleitoral cada vez mais polarizado. Especialistas e partidos políticos têm ampliado a vigilância sobre registros, metodologias e divulgação dos levantamentos, buscando evitar distorções que possam impactar o eleitorado.
Com novas decisões judiciais sendo tomadas em diferentes estados, cresce também a expectativa sobre como os tribunais eleitorais irão agir diante de suspeitas envolvendo pesquisas registradas para as eleições de 2026.


