Mensagens vazadas de um grupo de WhatsApp acenderam o alerta sobre um possível esquema de arrecadação irregular de multas na SMTT de São Luís. Os dados, enviados ao Ministério Público, sugerem que o órgão estaria funcionando como uma verdadeira “indústria da multa”, com pressão sobre os agentes para bater metas de autuações.
Crescimento explosivo nas autuações
De janeiro a setembro, mais de 100 mil multas foram aplicadas, gerando R$ 28,8 milhões aos cofres da Prefeitura de São Luís, segundo documentos obtidos pelo Observatório de Trânsito. O número levanta suspeitas sobre a finalidade das autuações, especialmente diante das reclamações dos motoristas.
Moradores relatam ruas em obras, falta de sinalização adequada e um trânsito cada vez mais confuso, fatores que tornam o ambiente propício a erros e punições indevidas.
Pressão e denúncias de irregularidades
As mensagens revelam que agentes de trânsito estariam sendo pressionados a aumentar o número de multas, em vez de priorizar a educação e orientação dos condutores. Essa prática, se confirmada, pode caracterizar abuso de poder administrativo e uso político do sistema de fiscalização.
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) recebeu cópias das mensagens e já iniciou uma análise preliminar para verificar possíveis irregularidades e responsabilidades dentro da SMTT.
Empresa contratada também é alvo de suspeitas
Outro ponto polêmico envolve a empresa LABOR, atual responsável pela instalação e manutenção dos radares na cidade. Ela substituiu a FOCALLE, antiga prestadora de serviços que teve sócios presos por corrupção e fraudes em licitações.
Especialistas questionam se o novo contrato seguiu todos os critérios de transparência e legalidade, já que o valor das multas disparou logo após a mudança da empresa.
População sofre com o caos no trânsito
Enquanto as denúncias se multiplicam, os motoristas ludovicenses enfrentam engarrafamentos constantes, sinalizações precárias e um sistema de transporte público deficiente. A sensação geral é de injustiça e descrédito nas ações da SMTT.
A população cobra mais transparência, melhor planejamento urbano e fiscalização justa, para que as multas voltem a ter seu verdadeiro papel: educar e garantir segurança no trânsito, e não gerar receita.



