Um caso de agiotagem chocou a cidade de Pinheiro, na Baixada Maranhense. A idosa Doracy foi expulsa de sua residência, após uma decisão judicial determinar a retirada dela e da família do imóvel. O processo teve início em 2009, quando a mulher recorreu a um empréstimo de R$ 5 mil com um agiota e acabou presa em um ciclo de juros abusivos.
Dívida que virou impagável
Segundo a defesa, o credor, identificado como Itevaldo Pereira Soares, utilizou práticas ilegais que transformaram a dívida inicial em um valor impagável. A idosa afirma já ter quitado mais de R$ 50 mil ao longo dos anos, mas mesmo assim perdeu a posse da casa. Além disso, Doracy denuncia ter sido alvo de ameaças e agressões.
Ação judicial e despejo
O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) expediu um mandado de imissão de posse em favor do agiota. O oficial de justiça, acompanhado de policiais militares, cumpriu a ordem, obrigando a idosa, seus filhos e um neto a retirarem os móveis às pressas, sem destino definido. A situação deixou a família em completa vulnerabilidade.
Contrato questionado pela defesa
O advogado da família afirma que o contrato firmado à época simulava uma compra e venda do imóvel, o que teria permitido ao agiota se apropriar do bem. Para a defesa, o acordo é nulo e fraudulento, já que a casa estava registrada em nome do falecido marido da idosa e não poderia ter sido usada como garantia sem consentimento.
“Trata-se de um caso típico de agiotagem, com juros abusivos e vício no contrato”, destacou o advogado, que agora busca reverter a decisão judicial.
Situação de vulnerabilidade
Enquanto aguarda a revisão do processo, a idosa segue sem moradia e depende da solidariedade de vizinhos e familiares. O caso reacende o debate sobre os impactos da agiotagem no Maranhão e sobre como a Justiça lida com situações que colocam em risco a dignidade de famílias inteiras.


