Durante agenda pelo interior do Maranhão, o candidato ao Governo do Estado Eduardo Braide voltou a criticar a situação da saúde pública e fez uma declaração que também alcança, ainda que indiretamente, gestões anteriores do Estado. Em Água Doce do Maranhão, Braide afirmou ter encontrado um hospital construído pelo Governo Estadual que, segundo ele, está sem funcionamento há mais de cinco anos.
A declaração foi feita ao apresentar propostas para a área da saúde e ao defender que a unidade seja colocada em funcionamento. Braide afirmou que pretende assumir o compromisso de entregar o hospital funcionando até o final de 2027, evitando que moradores da região precisem se deslocar para outros municípios em busca de atendimento.
“UM HOSPITAL CONSTRUÍDO PELO ESTADO”
“Um hospital construído pelo Estado que está sem funcionar há mais de cinco anos e não tem nenhum tipo de atendimento aqui”, declarou Braide durante a agenda.
Segundo o candidato, a situação representa um desperdício de uma estrutura que poderia atender à população local. A proposta apresentada por ele é colocar a unidade em funcionamento até o fim de 2027, caso seja eleito governador.
A fala, no entanto, ganha um componente político importante quando se considera o período mencionado pelo próprio candidato.
CRÍTICA TAMBÉM ALCANÇA GESTÕES DE DINO E CARLOS LULA
Ao afirmar que o hospital está sem funcionar há mais de cinco anos, Braide acaba incluindo no contexto de sua crítica períodos em que Flávio Dino comandava o Governo do Maranhão e Carlos Lula estava à frente da Secretaria de Estado da Saúde.
Carlos Lula, que atualmente exerce mandato de deputado estadual e faz oposição ao governador Carlos Brandão, já esteve próximo de Braide em diferentes articulações políticas. A aproximação entre integrantes de diferentes grupos também já chamou atenção no cenário político maranhense.
Dessa forma, embora a crítica de Braide tenha como alvo principal a situação encontrada atualmente em Água Doce, a referência ao período de mais de cinco anos coloca também administrações anteriores no centro do debate sobre a utilização da estrutura hospitalar.
BRAIDE COMPARA COM SUA GESTÃO EM SÃO LUÍS
Durante a mesma fala, Eduardo Braide comparou a situação encontrada no interior com ações realizadas durante sua passagem pela Prefeitura de São Luís.
“Da mesma forma que eu entreguei seis novos hospitais em São Luís, coloquei para funcionar bem a saúde, nós vamos entregar o Hospital de Água Doce funcionando até o final do ano que vem”, afirmou.
A declaração, porém, precisa ser contextualizada. A expressão “seis novos hospitais” não descreve com precisão todas as intervenções realizadas pela Prefeitura de São Luís. Entre as unidades apresentadas em balanços da administração municipal estão obras de reforma, ampliação, recuperação e requalificação de estruturas de saúde, que não necessariamente correspondem à construção e entrega de seis hospitais completamente novos.
Por isso, a afirmação de Braide deve ser analisada levando em consideração a natureza das obras realizadas e das unidades mencionadas pela gestão municipal.
SAÚDE DE SÃO LUÍS TAMBÉM É ALVO DE QUESTIONAMENTOS
O discurso de Braide sobre a saúde pública também ocorre em meio a questionamentos relacionados à própria gestão municipal em São Luís.
As condições de atendimento e o número de mortes registradas em unidades de terapia intensiva pediátrica do Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos passaram a ser alvo de apurações e questionamentos envolvendo órgãos como o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Ministério da Saúde.
O caso ganhou repercussão além do Maranhão e colocou novamente a estrutura da saúde pública da capital no centro do debate.
DISPUTA PELO GOVERNO TRANSFORMA SAÚDE EM TEMA CENTRAL
A declaração feita em Água Doce mostra como a saúde pública deve ocupar espaço importante na disputa pelo Governo do Maranhão. Ao prometer colocar em funcionamento uma unidade hospitalar que, segundo ele, está parada há anos, Braide tenta apresentar uma diferença de gestão e transformar o episódio em exemplo das dificuldades enfrentadas pela população no interior.
Ao mesmo tempo, a referência ao período de funcionamento da unidade amplia o alcance político da crítica, já que os anos mencionados também abrangem administrações anteriores à atual gestão estadual.
O episódio, portanto, coloca novamente em discussão não apenas a situação do hospital de Água Doce, mas também a responsabilidade das diferentes gestões pela estrutura, funcionamento e oferta de serviços de saúde no Maranhão.


