Entre patrimônio declarado e movimentações milionárias, MP questiona origem de recursos ligados a Calvet Filho

calvet

NÚMEROS LEVANTADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO CHAMAM ATENÇÃO

As movimentações financeiras atribuídas ao ex prefeito de Rosário, Calvet Filho, entraram no centro de uma investigação do Ministério Público do Maranhão. Segundo informações apresentadas pelo MP no processo, R$ 1,32 milhão teriam passado pela conta do político entre 2021 e 2023.

O dado chama atenção quando comparado ao patrimônio declarado à Justiça Eleitoral. Em 2026, Calvet Filho teria informado possuir R$ 65.278,78 em bens. Em 2020, segundo os dados citados no processo, a declaração apontava que ele não possuía patrimônio.

De acordo com o Ministério Público, aproximadamente R$ 924 mil das movimentações identificadas não teriam origem esclarecida. O órgão também aponta a realização de 448 depósitos de até R$ 10 mil no período analisado.

A origem desses recursos é justamente um dos pontos questionados na investigação.

DIFERENÇA ENTRE RENDA E DESPESAS TAMBÉM É CITADA

Outro aspecto levantado pelo Ministério Público envolve a relação entre a renda declarada e determinadas despesas familiares.

Segundo os dados apresentados na investigação, Calvet Filho teria renda líquida mensal de R$ 11.108,38, enquanto as mensalidades escolares das duas filhas somariam aproximadamente R$ 15.426 por mês.

O tema já havia sido abordado publicamente em 2023, quando uma publicação do jornalista Neto Cruz questionou os custos relacionados à formação de uma das filhas do então prefeito.

A diferença entre os valores, porém, integra o contexto apresentado pelo Ministério Público e, por si só, não representa comprovação de qualquer irregularidade.

INVESTIGAÇÃO TAMBÉM ENVOLVE FAMILIARES

As apurações citadas pelo MP não se restringem às movimentações atribuídas a Calvet Filho. Familiares também aparecem nos dados financeiros analisados pelo órgão.

Segundo a investigação, a esposa, Francisca Estela Calvet, teria recebido mais de R$ 751 mil. O irmão, Jonatha Calvet, teria movimentado aproximadamente R$ 1,036 milhão, enquanto a cunhada, Dulcimary Desterro, teria movimentado mais de R$ 540 mil.

Em relação à Farmacenter, empresa ligada a Jonatha Calvet, o Ministério Público aponta ainda a existência de 408 depósitos em dinheiro, que totalizariam aproximadamente R$ 521,6 mil.

Os valores e as movimentações fazem parte dos elementos apresentados pelo MP no processo e ainda estão sujeitos ao contraditório e à análise da Justiça.

MP PEDE RESSARCIMENTO DE R$ 3,3 MILHÕES

Na ação envolvendo o município de Rosário, o Ministério Público busca, entre outras medidas, um eventual ressarcimento de R$ 3,3 milhões, além da aplicação de multa e da indisponibilidade de bens.

O processo, no entanto, não representa uma condenação definitiva. Os citados têm direito à apresentação de defesa e manifestação sobre os fatos e valores apontados pelo Ministério Público.

DE ONDE VIERAM OS RECURSOS?

A principal questão levantada pela investigação está na origem das movimentações financeiras apontadas pelo Ministério Público.

De um lado, aparecem os R$ 65.278,78 declarados como patrimônio em 2026. De outro, o MP afirma ter identificado R$ 1,32 milhão movimentados entre 2021 e 2023, além de centenas de depósitos e valores cuja origem, segundo o órgão, ainda não teria sido esclarecida.

Enquanto o processo segue seu curso, a pergunta que ganhou espaço nas rodas de conversa em Rosário permanece em aberto: qual é a origem dos recursos apontados na investigação?

A resposta definitiva dependerá da análise das provas, das manifestações das partes e da decisão da Justiça.

 

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