O secretário municipal de Educação de Vargem Grande, Biné Coelho, manifestou repúdio à decisão judicial que determinou a retirada do nome do médico Raimundo Nina Rodrigues do principal hospital psiquiátrico do Maranhão. A declaração foi feita na manhã deste sábado, em meio à intensa repercussão do caso em todo o estado.
REAÇÃO DO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO
Professor e poeta, Biné Coelho criticou o que classificou como uma decisão monocrática e afirmou que a medida representa um desrespeito à história local. Para ele, a retirada da homenagem ignora a relevância histórica de um dos filhos mais conhecidos de Vargem Grande e gera um precedente preocupante.
DECISÃO DA JUSTIÇA E JUSTIFICATIVA
A retirada do nome foi determinada pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís. Na decisão, o magistrado afirmou que manter o nome de Nina Rodrigues em um hospital psiquiátrico reforça uma visão de mundo associada ao racismo científico, já que o médico utilizou esse campo do saber para estigmatizar a população negra, vinculando-a à loucura e à criminalidade.
O Governo do Estado terá o prazo de 180 dias para atualizar placas, documentos oficiais, registros administrativos e sistemas de informação relacionados à unidade de saúde.
QUESTIONAMENTOS SOBRE CRITÉRIOS ADOTADOS
Durante sua manifestação, o secretário levantou um questionamento direto à Justiça: se a decisão também se estenderá ao município de Nina Rodrigues, vizinho de Vargem Grande, que leva o nome do médico. Para Biné Coelho, a ausência de critérios claros reforça a sensação de injustiça histórica.
Segundo ele, a população não pode aceitar em silêncio a retirada de uma homenagem a alguém considerado por muitos como um dos maiores brasileiros nascidos na região.
QUEM FOI RAIMUNDO NINA RODRIGUES
Raimundo Nina Rodrigues nasceu em Vargem Grande, em 4 de dezembro de 1862, e faleceu em Paris, em 17 de julho de 1906. Foi médico legista, psiquiatra, professor, escritor, antropólogo e etnólogo brasileiro. Atuou também como dietólogo, tropicalista, sexologista, higienista, biógrafo e epidemiologista.
É considerado o fundador da antropologia criminal brasileira e pioneiro nos estudos sobre a cultura negra no país. Apesar de sua importância acadêmica, sua obra é marcada pela defesa de ideias eugenistas e por uma abordagem racista e cientificista, especialmente no livro Os Africanos no Brasil, publicado entre 1890 e 1905.
DEBATE ENTRE MEMÓRIA E CRÍTICA HISTÓRICA
O caso reacende o debate sobre memória histórica, homenagens públicas e a necessidade de reavaliar personagens do passado à luz dos valores atuais. Em Vargem Grande, a decisão judicial foi recebida como um ataque à identidade local, enquanto outros setores defendem a revisão crítica de símbolos associados ao racismo estrutural.
A controvérsia segue mobilizando opiniões e promete novos desdobramentos nos próximos meses.


