Desvio de R$ 80 milhões no Porto do Itaqui vira dívida de quase R$ 500 milhões para o Maranhão

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O que começou como uma manobra financeira de R$ 80 milhões no Porto do Itaqui acabou se transformando em uma dívida bilionária disfarçada, que hoje ameaça diretamente os cofres públicos do Maranhão. A operação foi realizada durante o governo Flávio Dino, em pleno ano eleitoral de 2018, e agora cobra um preço alto da população maranhense.

A OPERAÇÃO QUE ESVAZIOU OS COFRES DA EMAP

Em 28 de maio de 2018, o Conselho de Administração da Empresa Maranhense de Administração Portuária Emap aprovou a chamada redução do capital social, autorizando a transferência imediata de R$ 80 milhões para o Tesouro Estadual. A decisão foi tomada por unanimidade, conforme ata da 211ª reunião ordinária do CONSAD, publicada pelo portal O Informante.

Na prática, a operação retirou recursos estratégicos de uma empresa responsável pela gestão do principal porto do Maranhão, comprometendo sua saúde financeira e abrindo uma grave crise institucional.

IRREGULARIDADE APONTADA PELA ANTAQ

Desde o início, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários Antaq considerou irregular a transferência dos recursos da Emap para o governo estadual. Com base nesse entendimento técnico, a União passou a cobrar judicialmente a devolução integral dos valores retirados.

O alerta ignorado em 2018 tornou-se um problema gigantesco anos depois, quando o passivo financeiro começou a crescer com juros e correção monetária.

DECISÃO JUDICIAL E REVIRAVOLTA ESTRANHA

Em junho de 2025, a Justiça determinou que o Estado do Maranhão devolvesse R$ 141 milhões à Emap, valor já corrigido. O episódio ganhou contornos ainda mais suspeitos quando o próprio juiz federal responsável anulou a sentença apenas um dia após sua publicação, levantando questionamentos sobre os bastidores do caso.

GOVERNO FEDERAL COLOCA O PORTO NA MESA

Em janeiro, chegou o momento decisivo para o Maranhão. O Governo Federal precisou decidir sobre a prorrogação da autorização para que o estado continue operando o Porto do Itaqui. A resposta foi dura e direta: a renovação só ocorreria mediante a devolução integral dos R$ 80 milhões, acrescidos de juros e correção monetária.

Foi assim que o valor originalmente desviado se transformou em uma cobrança de R$ 481,2 milhões, quase meio bilhão de reais.

OS RESPONSÁVEIS ESTÃO PROTEGIDOS

Passados oito anos, Flávio Dino encontra-se protegido pelo cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Os conselheiros que aprovaram a retirada dos recursos hoje ocupam cargos como deputados estaduais e federais, suplentes políticos e membros de tribunais.

Ninguém responde diretamente pelo ato. Nenhum centavo saiu do bolso dos responsáveis.

QUEM PAGA A CONTA É O POVO

Enquanto isso, o rombo financeiro recai sobre a população do Maranhão. Para manter o controle do Porto do Itaqui, o estado terá que arcar com uma dívida construída a partir de uma decisão política questionável, feita em ano eleitoral e ignorando alertas técnicos.

No fim das contas, o desvio de R$ 80 milhões virou um fardo de quase R$ 500 milhões, e quem paga essa conta é, mais uma vez, o povo maranhense.

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