O relatório do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão provocou forte repercussão ao mostrar o cenário crítico da merenda escolar e do transporte escolar em várias cidades do Estado. Durante cinco dias, sete equipes do órgão visitaram trinta e cinco municípios após a ausência de dados no Indicador de Efetividade na Gestão Municipal. A ação buscou esclarecer a execução das políticas públicas de educação e orientar gestores que lidam diariamente com recursos essenciais para os alunos.
Segundo o secretário de Fiscalização, Fábio Alex Costa Rezende de Melo, o objetivo principal foi obter detalhes sobre a realidade enfrentada pelas escolas. Embora o foco estivesse na orientação, os achados evidenciaram falhas graves que atingem diretamente a qualidade do ensino. Além disso, a iniciativa mostrou quanto a falta de planejamento e fiscalização prejudica milhares de estudantes.
Merenda escolar revela discrepância entre cardápio e realidade
Os auditores encontraram um cenário preocupante nas cozinhas escolares. A auditora Helvilane Araújo identificou diferenças gritantes entre o cardápio elaborado pelas nutricionistas e o que era de fato servido aos alunos. Enquanto o papel indicava refeições como cuscuz com leite ou sopa, muitas escolas ofereciam apenas biscoito com suco. Essa prática reduziu drasticamente a qualidade nutricional que deveria ser garantida.
Os problemas incluíram cozinhas sem telas de proteção, despensas sem ventilação, alimentos sem validade e ambientes inadequados para armazenamento. Assim, a merenda escolar revelou falhas estruturais e operacionais que afetam diretamente a saúde dos estudantes.
Transporte escolar expõe veículos sucateados e falta de controle
A situação do transporte escolar mostrou-se igualmente alarmante. O auditor Bernardo Leal observou ônibus deteriorados, bancos rasgados e ausência de itens fundamentais de segurança. Além disso, muitas prefeituras não tinham controle sobre frota, manutenção ou consumo de combustível. Em alguns municípios, a negligência alcançou níveis extremos.
No caso de Arari, o auditor José Elias constatou motoristas sem habilitação adequada e veículos sem documentação. Essas falhas colocaram alunos em risco e mostraram total falta de fiscalização.
Bom Lugar aparece como referência positiva
Entre os trinta e cinco municípios avaliados, apenas Bom Lugar chamou atenção de forma positiva. A cidade apresentou escolas estruturadas, merenda adequada, ônibus novos e motoristas treinados. A organização exemplar destacou o município como referência no Estado.
Com 12.212 habitantes, Bom Lugar ocupa atualmente posição de destaque no Ideb para os anos iniciais. A cidade, que já esteve entre as piores colocadas, conseguiu superar a capital, São Luís, ao alcançar a 75ª posição. Essa evolução mostra como gestão eficiente transforma a realidade educacional.
TCE-MA alerta para estagnação de uma década
Apesar do bom exemplo de Bom Lugar, o Tribunal apontou profundo desânimo com o cenário geral. Segundo Fábio Alex, pouco mudou nos últimos dez anos, mesmo após ações semelhantes do órgão. A constatação reforça a necessidade urgente de responsabilidade administrativa e investimentos adequados.


